Análise do Grupo L da Copa 2026, com resultados, classificação, desempenho de Inglaterra, Croácia, Gana e Panamá, jogadores em destaque e leitura crítica do Além do Placar.
Panorama do grupo
O Grupo L da Copa do Mundo 2026 reuniu Inglaterra, Croácia, Gana e Panamá em uma chave de muita tradição, memória recente e disputa emocional. A Inglaterra entrou como uma das favoritas do grupo, carregando a pressão de uma seleção sempre cercada por expectativa, cobrança e debate público. A Croácia chegou com a força de uma geração histórica, ainda guiada por Luka Modric, mas também atravessada pelo peso do tempo. Gana trouxe a tradição africana, a memória de grandes campanhas e a busca por voltar a uma fase eliminatória. Panamá, por sua vez, entrou como seleção da Concacaf tentando transformar organização e coragem em sua primeira vitória em Copas.
Ao final das três rodadas, a Inglaterra terminou em primeiro lugar, com 7 pontos. A Croácia ficou em segundo, com 6 pontos. Gana terminou em terceiro, com 4 pontos, e avançou entre os melhores terceiros colocados. Panamá perdeu os três jogos, não marcou gols e foi eliminado.
O Grupo L teve dois movimentos principais. Primeiro, a Inglaterra começou forte contra a Croácia, mas depois mostrou dificuldade criativa diante de defesas compactas. Segundo, Croácia e Gana fizeram um duelo direto na última rodada que terminou com vitória croata por 2 a 1, mas classificou as duas seleções. Panamá, mesmo eliminado, competiu em jogos apertados contra Gana e Croácia, mas não conseguiu transformar resistência em pontos.
Para o Além do Placar, este grupo permite discutir tradição europeia, futebol africano, envelhecimento de gerações históricas, torcidas migrantes, desigualdade de visibilidade, sustentabilidade, consumo de massa e a forma como países considerados “menores” muitas vezes são tratados apenas como obstáculos no caminho dos favoritos.
Tabela final do Grupo L
| Posição | Seleção | Campanha | Pontos | Gols marcados | Saldo de gols | Situação |
| 1º | 🏴 Inglaterra | 2 vitórias e 1 empate | 7 | 6 | +4 | Classificada |
| 2º | 🇭🇷 Croácia | 2 vitórias e 1 derrota | 6 | 5 | 0 | Classificada |
| 3º | 🇬🇭 Gana | 1 vitória, 1 empate e 1 derrota | 4 | 2 | 0 | Classificada entre os terceiros |
| 4º | 🇵🇦 Panamá | 3 derrotas | 0 | 0 | -4 | Eliminado |
A tabela mostra que a Inglaterra liderou com vantagem, mas sem campanha plenamente convincente. A Croácia avançou em segundo depois de se recuperar da derrota na estreia. Gana, mesmo perdendo na última rodada, acumulou pontos suficientes para seguir viva. Panamá teve uma campanha dura: perdeu todos os jogos e não marcou, mas suas duas primeiras derrotas foram por apenas 1 a 0.
Resultados e análise das partidas
Primeira rodada: Inglaterra 4 x 2 Croácia
A Inglaterra abriu o grupo com vitória por 4 a 2 sobre a Croácia, em um dos jogos mais fortes da primeira rodada. Harry Kane marcou duas vezes, Jude Bellingham e Marcus Rashford também apareceram no placar, enquanto Martin Baturina e Petar Musa marcaram para os croatas.
O jogo teve valor simbólico para os ingleses. A Croácia havia eliminado a Inglaterra na semifinal da Copa de 2018, e esse reencontro carregava memória de frustração. A vitória por 4 a 2 não apagou o passado, mas deu à Inglaterra uma largada forte e um controle inicial do grupo.
Para a Croácia, a derrota foi preocupante. A equipe mostrou qualidade ofensiva, marcou duas vezes, mas sofreu demais defensivamente. Em um grupo curto, perder na estreia para o principal rival obrigou a uma reação imediata.
A partida também apresentou uma questão recorrente: a Inglaterra tem talento, ataque e nomes de enorme prestígio, mas precisa transformar esse potencial em regularidade. Na estreia, conseguiu. Nas rodadas seguintes, a dificuldade reapareceria.
Primeira rodada: Gana 1 x 0 Panamá
Gana venceu Panamá por 1 a 0 em Toronto, com gol de Caleb Yirenkyi nos acréscimos. Foi uma vitória sofrida, construída no limite, depois de um jogo em que Panamá também teve chances e mostrou organização.
Para Gana, o resultado foi essencial. Vencer na estreia, mesmo sem grande brilho, deu margem para enfrentar Inglaterra e Croácia com maior segurança. O gol no fim teve força emocional: um ponto parecia pouco para as ambições ganesas; três pontos mudaram a leitura do grupo.
Para Panamá, a derrota foi cruel. A seleção competiu, resistiu, criou oportunidades e esteve perto de conquistar um ponto importante. Mas sofreu o gol no fim e saiu sem nada. Esse tipo de derrota pesa muito na Copa do Mundo, especialmente para uma equipe que buscava sua primeira vitória no torneio.
A leitura do Além do Placar precisa reconhecer esse esforço. Panamá não foi apenas “a seleção mais fraca do grupo”. Foi uma equipe que lutou, tentou sobreviver e pagou caro por pequenos detalhes.
Segunda rodada: Inglaterra 0 x 0 Gana
Inglaterra e Gana empataram sem gols na segunda rodada. O resultado manteve as duas seleções vivas e bem posicionadas, mas acendeu críticas sobre a dificuldade inglesa para furar defesas compactas.
A Inglaterra teve mais expectativa, mais posse e mais cobrança. Mas Gana mostrou disciplina, força defensiva e concentração. O empate foi importante para a seleção africana, que chegou à última rodada com 4 pontos e grande chance de avançar.
Para os ingleses, o 0 a 0 teve sabor de frustração. Depois da vitória por 4 a 2 sobre a Croácia, esperava-se uma equipe mais fluida. O empate revelou que a Inglaterra ainda precisava encontrar alternativas criativas quando o adversário fechava espaços e reduzia transições.
Para Gana, o jogo foi prova de maturidade. Segurar a Inglaterra na Copa do Mundo não é pouco. A seleção ganesa mostrou que sua campanha não dependia apenas de sorte ou resistência emocional, mas também de organização tática.
Segunda rodada: Panamá 0 x 1 Croácia
A Croácia precisava vencer o Panamá para continuar viva. Conseguiu, mas com dificuldade. O placar de 1 a 0, definido por Ante Budimir no segundo tempo, recolocou a seleção croata na disputa pela classificação.
A partida também marcou um feito histórico de Luka Modric, que chegou a 200 jogos pela seleção croata. Esse dado carrega enorme valor simbólico. Modric é mais do que um jogador importante: é a face de uma geração que levou um país pequeno em população a uma final da Copa em 2018 e ao terceiro lugar em 2022.
Para a Croácia, a vitória foi de sobrevivência. Não foi exuberante, mas foi necessária. Para o Panamá, foi outra derrota dolorosa por margem mínima. Depois de perder para Gana nos acréscimos, a equipe voltou a competir, mas novamente saiu sem ponto.
Esse jogo mostrou uma Croácia menos brilhante que em ciclos anteriores, mas ainda capaz de encontrar soluções. Também mostrou um Panamá combativo, que dificultou a vida de adversários mais tradicionais, mesmo sem conseguir marcar.
Terceira rodada: Inglaterra 2 x 0 Panamá
Na última rodada, a Inglaterra venceu Panamá por 2 a 0 e garantiu o primeiro lugar do Grupo L. Jude Bellingham marcou aos 62 minutos e depois serviu Harry Kane, que ampliou de cabeça cinco minutos mais tarde.
O resultado foi importante para a Inglaterra, mas a atuação ainda deixou debates. A seleção venceu, liderou o grupo e avançou, mas passou parte do jogo com dificuldades para transformar domínio em chances claras. A conexão entre Bellingham e Kane apareceu como ponto positivo, especialmente pela forma como os dois decidiram a partida no segundo tempo.
Para Panamá, a derrota encerrou uma campanha sem pontos e sem gols. Ainda assim, a equipe saiu com a imagem de quem competiu melhor do que a tabela indica. Perdeu por 1 a 0 para Gana, 1 a 0 para Croácia e 2 a 0 para Inglaterra. O problema foi ofensivo: faltou transformar resistência em gol.
A Inglaterra chegou ao mata-mata em primeiro lugar, mas com a obrigação de elevar o nível. Em fase eliminatória, vencer sem convencer pode ser suficiente por um tempo, mas os riscos aumentam a cada rodada.
Terceira rodada: Croácia 2 x 1 Gana
Croácia e Gana fizeram o jogo decisivo do grupo. A Croácia venceu por 2 a 1 e assumiu o segundo lugar. Petar Sučić abriu o placar, Derrick Luckassen empatou para Gana, e Nikola Vlasic marcou o gol da vitória croata.
O resultado classificou a Croácia diretamente e manteve Gana viva entre os melhores terceiros colocados. Foi um jogo de tensão, chuva, disputa física e enorme peso emocional. Para a Croácia, vencer significava evitar depender de cálculos. Para Gana, a derrota não eliminou, mas empurrou a equipe para o caminho dos terceiros.
Luka Modric voltou a ser personagem central, participando da construção do gol decisivo e mostrando que sua liderança ainda tem impacto. A Croácia, criticada depois da estreia, reagiu com duas vitórias seguidas e avançou.
Gana saiu derrotada, mas classificada. O sentimento foi misto: frustração pelo segundo lugar perdido, alívio pela vaga e orgulho por voltar ao mata-mata pela primeira vez desde 2010.
Desempenho das seleções
1º colocado: Inglaterra
A Inglaterra liderou o grupo com 7 pontos, mas sua campanha teve duas faces. Contra a Croácia, mostrou força ofensiva e capacidade de vencer um adversário tradicional. Contra Gana, teve dificuldade criativa. Contra Panamá, venceu, mas novamente precisou de paciência para furar a defesa.
Harry Kane e Jude Bellingham foram os nomes centrais. A equipe chega ao mata-mata com elenco forte, mas ainda precisa melhorar ritmo, criatividade e intensidade. Liderar o grupo foi importante, mas não eliminou as dúvidas.
2º colocado: Croácia
A Croácia começou mal, perdendo para a Inglaterra, mas reagiu com vitórias sobre Panamá e Gana. A campanha mostrou uma seleção menos dominante que em 2018 ou 2022, mas ainda competitiva, experiente e emocionalmente forte.
Luka Modric continua sendo símbolo máximo da equipe. Ao mesmo tempo, nomes como Petar Sučić, Nikola Vlasic e Ante Budimir mostraram que a Croácia ainda encontra recursos para sobreviver. A seleção chega ao mata-mata com história, mas também com sinais de desgaste.
3º colocado: Gana
Gana fez uma campanha sólida. Venceu Panamá, empatou com Inglaterra e perdeu para a Croácia. Com 4 pontos, avançou entre os melhores terceiros colocados e voltou ao mata-mata depois de muitos anos.
A equipe mostrou disciplina defensiva, força física, organização e capacidade de competir contra adversários europeus. Faltou maior produção ofensiva, mas a campanha foi suficiente para recolocar Gana em uma fase importante da Copa.
4º colocado: Panamá
Panamá terminou sem pontos e sem gols, mas sua campanha não foi simplesmente passiva. A equipe perdeu jogos apertados contra Gana e Croácia e só sofreu mais no placar diante da Inglaterra. Faltou precisão ofensiva, mas houve entrega e organização.
A eliminação mostra os limites de uma seleção que ainda busca consolidar presença em Copas. Panamá já havia vivido sua estreia mundialista em 2018 e agora tenta construir continuidade. O desafio é transformar competitividade defensiva em ameaça real no ataque.
Jogadores em destaque
Inglaterra: Jude Bellingham
Jude Bellingham foi o jogador-símbolo da Inglaterra no Grupo L. Marcou contra o Panamá, deu assistência para Harry Kane e apareceu como peça essencial para destravar jogos difíceis. Sua presença combina intensidade, técnica, liderança e chegada à área.
Croácia: Luka Modric
Luka Modric foi o símbolo croata do grupo. Aos 40 anos, chegou a 200 jogos pela seleção e seguiu influenciando partidas decisivas. Sua liderança contra Panamá e Gana reforçou a imagem de um jogador que atravessa gerações sem perder relevância.
Gana: Caleb Yirenkyi
Caleb Yirenkyi marcou o gol decisivo contra Panamá, nos acréscimos, e deu a Gana os três pontos que sustentaram sua classificação. Em uma campanha de poucos gols, seu lance teve valor enorme. Foi o tipo de gol que muda o destino de uma seleção.
Panamá: Adalberto Carrasquilla
Adalberto Carrasquilla foi uma das principais referências do Panamá. Mesmo sem gols da equipe, sua presença no meio-campo deu organização, tentativa de criação e liderança técnica. Em uma campanha difícil, representou a resistência panamenha.
Leitura crítica do Além do Placar
O Grupo L reúne temas centrais para o Além do Placar. Inglaterra e Croácia chegaram como seleções europeias tradicionais, cercadas por expectativa e memória recente. Gana trouxe a força do futebol africano e a presença de uma seleção que já marcou profundamente a história das Copas. Panamá entrou como representante da Concacaf, que ainda luta para transformar a participação em protagonismo.
A Inglaterra carrega uma relação complexa com o futebol. É o país que se apresenta como berço moderno do jogo, mas convive há décadas com a frustração de não transformar talento e riqueza esportiva em títulos mundiais recentes. A pressão sobre seus jogadores é enorme. Cada empate vira crise, cada atuação morna vira debate nacional. O futebol inglês é espetáculo, indústria e identidade.
A Croácia oferece outra leitura. Um país pequeno em população construiu uma geração extraordinária, liderada por Luka Modric, capaz de disputar finais, semifinais e campanhas memoráveis. Mas toda geração envelhece. O Grupo L mostrou uma Croácia ainda viva, mas já em transição. O desafio é respeitar a memória sem ficar presa a ela.
Gana, por sua vez, deve ser lida para além do rótulo de “força física”. Esse tipo de expressão, muitas vezes usada para seleções africanas, empobrece a análise e carrega estereótipos. Gana teve organização, estratégia e disciplina. A classificação entre os terceiros recoloca a seleção africana em um lugar importante do torneio e reforça a presença do continente no mata-mata.
Panamá merece cuidado narrativo. Seleções da Concacaf fora do eixo México, Estados Unidos e Canadá costumam ser tratadas como coadjuvantes. Mas Panamá tem construído trajetória, competido em torneios regionais e buscado continuidade. A eliminação foi dura, mas o esforço não deve ser invisibilizado.
A sustentabilidade também atravessa o Grupo L. Jogos em grandes cidades, deslocamentos de torcedores, consumo de cerveja, alimentos, copos, embalagens, bandeiras, camisas, lembranças e materiais promocionais geram impacto ambiental. A Copa movimenta economia, bares, turismo e comércio, mas também produz resíduos. A lógica Lixo Zero pergunta o que acontece depois da comemoração: como reduzir descartes, reaproveitar materiais, reciclar corretamente e transformar o entusiasmo em educação ambiental?
Nas fontes consultadas para este texto, não apareceu um episódio específico de racismo ou xenofobia envolvendo diretamente os jogos do Grupo L que justificasse qualquer acusação grave a ser registrada. Ainda assim, o olhar crítico permanece. Discursos sobre seleções africanas, caribenhas ou centro-americanas muitas vezes carregam estereótipos. O Além do Placar deve observar não apenas o que acontece em campo, mas também como se fala sobre quem joga.
A perspectiva feminina e feminista também precisa estar presente. Mulheres torcedoras, jornalistas, trabalhadoras, professoras, mães, meninas e comunicadoras fazem parte da Copa. A cultura futebolística não é sustentada apenas pelos homens em campo. Ela vive também nas casas, escolas, ruas, bares, transportes, redes sociais e comunidades.
Quem avançou e o que esperar da próxima fase
A Inglaterra avançou em primeiro lugar e enfrentará a RD Congo na fase de 32. A Croácia avançou em segundo e enfrentará Portugal. Gana terminou em terceiro, avançou entre os melhores terceiros colocados e enfrentará a Colômbia. Panamá foi eliminado.
A Inglaterra chega ao mata-mata com liderança, mas também com obrigação de jogar melhor. A Croácia chega com experiência e memória competitiva, mas enfrentará um Portugal pressionado. Gana chega como terceira colocada perigosa, com organização defensiva e desejo de voltar a fazer história. Panamá se despede sem pontos, mas com a tarefa de transformar resistência em evolução ofensiva.
O Grupo L encerrou a primeira fase mostrando que a Copa é feita de favoritos, sobreviventes e equipes que ainda buscam seu lugar. Inglaterra, Croácia e Gana seguiram vivas. Panamá ficou pelo caminho, mas sua participação também compõe o retrato de uma Copa ampliada, diversa e cheia de disputas por reconhecimento.
Leia também os perfis das seleções deste grupo
- Inglaterra na Copa 2026: cultura, sociedade e seleção
- Croácia na Copa 2026: cultura, sociedade e seleção
- Gana na Copa 2026: cultura, sociedade e seleção
- Panamá na Copa 2026: cultura, sociedade e seleção
Fontes de referência
FIFA. Relatórios e páginas oficiais dos jogos da Copa do Mundo da FIFA 2026.
FIFA. Classificação oficial da Copa do Mundo da FIFA 2026.
Reuters. Cobertura sobre Inglaterra x Panamá, Inglaterra x RD Congo e cenário do Grupo L.
Associated Press. Relatório de Croácia x Gana.
The Guardian. Relatórios de Croácia x Gana e Panamá x Croácia.
Cadena SER. Cobertura de Gana x Panamá e Inglaterra x Croácia.
AS. Cenários e classificação do Grupo L antes da rodada final.
ge. Chaveamento da fase de 32 da Copa do Mundo de 2026.
ESPN. Estatísticas e placares dos jogos do Grupo L.
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