Márcia Hissett: arte, educação e resistência na Vila de Ponta Negra
Paulistana de origem e potiguar de coração, escolhi a Vila de Ponta Negra, em Natal, como meu lar há 25 anos. Como arte-educadora, comunicadora audiovisual e Embaixadora Lixo Zero, minha trajetória é guiada pela crença de que a educação e a arte são as ferramentas mais potentes para a transformação social e ambiental.

Minha prática profissional não se separa da minha vida: transformar resíduos em arte e recursos é a minha forma de lutar pela preservação deste paraíso em que vivemos. Em um cenário em que a omissão política e a falta de consciência muitas vezes negligenciam a vulnerabilidade do nosso ecossistema tropical, meu trabalho busca resgatar a dignidade da nossa comunidade, transformando nossa Vila em um exemplo de sustentabilidade.
Nessa jornada, tenho ao meu lado meu companheiro, Dale Hissett. Canadense de alma precisa e mãos dedicadas à terra, Dale traz para nossa rotina o rigor da compostagem e o cuidado com a agricultura orgânica. Juntos, unimos a visão artística e educativa pela prática da gestão consciente dos resíduos, provando que é possível viver em harmonia com a natureza, mesmo diante dos desafios urbanos.
Mãe de Vanessa Lodispoto — fruto de uma trajetória que também celebra as artes pela memória de seu pai, Pippo Lodispoto — entendo a educação como um legado que atravessa gerações. Esse legado se desdobra em meus três netos: Nina, Gal e Theodora. Três crianças maravilhosas, brincantes e focadas, que são a maior fonte da minha inspiração. Juntos, vivemos a experiência do veganismo, um caminho que Vanessa nos apresentou por puro amor pelos animais e que hoje é um pilar da nossa harmonia familiar.
Além do Placar 2026: um olhar de educadora
É com esse olhar — de educadora, mãe, avó, pesquisadora e defensora do meio ambiente — que convido você a explorar o Além do Placar 2026.
Aqui, a Copa do Mundo não é apenas um evento esportivo; é um fenômeno de impacto global que precisa ser analisado sob uma lente crítica e feminina. Como educadora, percebo que esse fenômeno muitas vezes foge ao campo educacional, mergulhando jovens em um universo de consumo desenfreado, de visões coloniais e de pressões comerciais que pouco dialogam com a formação do ser humano.
Como podemos educar para a sustentabilidade, para a descolonização dos nossos saberes e para a consciência crítica em um mundo movido por placares e milhões de dólares? Essa é a reflexão que proponho. Bem-vindo(a) ao meu espaço de análise e ação.